Texto: Mateus 16.13
“E, chegando
Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo:
Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16.13)
1. INTRODUÇÃO
Há momentos em
que Jesus consola seus discípulos, há momentos em que os ensina, mas há também
momentos em que os confronta.
Em Mateus 16,
Jesus conduz seus discípulos para um lugar extremamente significativo. Ele não
escolheu aquele cenário por acaso. Cesareia de Filipe era um ambiente marcado
pela idolatria, pelo paganismo e pela exaltação do poder humano.
É justamente
nesse cenário que Jesus faz uma das perguntas mais importantes de todo o
Evangelho:
“E vós, quem
dizeis que eu sou?”
Jesus coloca
seus discípulos diante de tudo aquilo que disputava a lealdade dos homens e
exige deles um posicionamento.
2. QUANDO SE
DEU ESTE ACONTECIMENTO?
Provavelmente
por volta do ano 28 d.C., aproximadamente oito meses antes da crucificação de
Cristo.
Jesus estava
entrando na fase final de seu ministério terreno. Pouco depois da confissão de
Pedro, Ele começaria a falar claramente aos discípulos acerca de sua morte e
ressurreição:
“Desde então
começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e
padecer muitas coisas...” (Mt 16.21)
Antes de
ensinar aos discípulos sobre a cruz, Jesus queria que eles tivessem convicção
acerca de quem Ele era.
Eles precisavam
compreender a identidade de Cristo antes de compreender plenamente a obra de
Cristo.
Em Cesareia de
Filipe.
4. NOTAS
IMPORTANTES SOBRE CESAREIA DE FILIPE
4.1. Os
Evangelhos registram apenas esta ocasião em que Jesus esteve na região de
Cesareia de Filipe.
Não encontramos
outro episódio explicitamente situado ali.
4.2. Os
Evangelhos não registram nenhum milagre realizado por Jesus em Cesareia de
Filipe.
Jesus realizou
milagres em muitos lugares, mas sua passagem por aquela região ficou marcada
não pela realização de um milagre, mas por uma revelação:
“Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo!”
4.3. Eusébio de
Cesareia registra uma antiga tradição segundo a qual a mulher curada do fluxo
de sangue era daquela região.
Em História
Eclesiástica, livro VII, capítulo 18, Eusébio relata que em Cesareia de
Filipe havia uma tradição relacionada à mulher com fluxo de sangue, que havia sido curada por Jesus.
Contudo, o
encontro dessa mulher com Cristo não ocorreu em Cesareia de Filipe. O relato
dos Evangelhos situa o milagre durante o ministério de Jesus na região da
Galileia.
4.4. A cidade
teve diferentes nomes ao longo de sua história.
Na região
próxima ficava Baal-Gade, mencionada no período da conquista de Canaã
(Js 11.17; 12.7; 13.5).
Posteriormente,
durante o período helenístico, a região tornou-se conhecida como Paneas,
devido ao culto ao deus grego Pã.
Ali, próximo às
nascentes do Jordão, existia uma grande caverna associada ao culto dessa
divindade. A região tornou-se importante centro de práticas religiosas pagãs.
Mais tarde,
Herodes, o Grande, construiu ali um templo de mármore branco em homenagem a
César Augusto.
Posteriormente,
Filipe, o tetrarca, ampliou a cidade e deu-lhe o nome de Cesareia, em
homenagem ao imperador. Para distingui-la da Cesareia Marítima, tornou-se
conhecida como Cesareia de Filipe.
Portanto,
quando Jesus leva seus discípulos para aquela região, eles estão diante de um
cenário carregado de simbolismo:
O paganismo
estava ali.
O poder de Roma
estava ali.
O culto ao
imperador estava ali.
A opinião dos
homens estava ali.
E, diante de
tudo isso, Jesus pergunta:
“E vós, quem
dizeis que eu sou?”
5.1. PARA
CONFRONTÁ-LOS DIANTE DO PODER DAS TREVAS
Cesareia de
Filipe possuía uma longa história relacionada à idolatria.
Primeiro Baal,
depois Pã e outras divindades pagãs receberam culto naquela região.
Diante daquele
cenário, Jesus pergunta:
“Quem vocês
dizem que Eu sou?”
Era como se
Cristo colocasse seus discípulos diante de todos aqueles altares e perguntasse:
“Depois de tudo
o que vocês viram, quem Eu sou para vocês?”
E Pedro
responde:
“Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Observe o
contraste:
Diante dos deuses
mortos, Pedro confessa o Deus vivo.
Diante dos
ídolos feitos pelas mãos dos homens, estava aquele por meio de quem todas as
coisas foram feitas.
Diante das
trevas espirituais daquela região estava a Luz do mundo.
5.2. PARA
CONFRONTÁ-LOS DIANTE DO PODER POLÍTICO DE ROMA
Naquela região
também havia um templo dedicado ao imperador.
Roma parecia
invencível.
César possuía
exércitos.
César possuía
riquezas.
César possuía
autoridade política.
César era
reverenciado por multidões.
Mas, diante dos
monumentos construídos em homenagem aos poderosos deste mundo, Pedro confessa:
“Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Impérios
passam.
Governantes
passam.
Reinos passam.
Ideologias
passam.
Mas Jesus
Cristo permanece!
Os Césares
morreram. Roma perdeu sua antiga glória. Seus templos tornaram-se ruínas.
Mas aquele
humilde Galileu continua sendo adorado por milhões de pessoas em todas as
partes do mundo.
5.3. PARA
CONFRONTÁ-LOS DIANTE DA OPINIÃO PÚBLICA
Jesus pergunta:
“Quem dizem os
homens ser o Filho do Homem?”
Os discípulos
responderam:
“Uns, João
Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas.”
A opinião
pública tinha boas coisas para dizer acerca de Jesus.
Consideravam-no
um profeta.
Um homem de
Deus.
Um grande
mestre.
Alguém
extraordinário.
Mas nenhuma
dessas respostas era suficiente.
Então Jesus
deixa de perguntar o que os outros pensavam e torna a pergunta pessoal:
“E vós, quem
dizeis que eu sou?”
Em outras
palavras:
“Eu já sei o
que a multidão pensa. Quero saber o que vocês pensam.”
E Pedro
responde:
“Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo.”
6.1. QUAL É A
NOSSA POSIÇÃO QUANDO SOMOS CONFRONTADOS PELO PODER DAS TREVAS?
João declara:
“O mundo
inteiro jaz no maligno.” (1Jo 5.19)
Vivemos em uma
sociedade na qual valores que durante muito tempo foram considerados absolutos
estão sendo relativizados.
Aquilo que a
Palavra de Deus chama de pecado muitas vezes passa a ser tratado como normal.
Aquilo que é santo é ridicularizado, enquanto aquilo que é contrário aos
princípios de Deus recebe aprovação.
A pergunta é:
Como a Igreja
reagirá?
Vamos nos
esconder?
Vamos nos
calar?
Vamos adaptar a
mensagem para sermos aceitos?
Ou
permaneceremos firmes na Palavra de Deus?
Diante das
trevas do nosso tempo, precisamos continuar confessando:
“Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo!”
Não precisamos
odiar pessoas para permanecermos fiéis à verdade. Devemos amar pessoas,
anunciar a graça e receber o pecador, mas nunca transformar o pecado em virtude
para receber a aprovação do mundo.
A Igreja pode
mudar seus métodos, mas não pode mudar sua mensagem.
Cesareia de
Filipe lembrava aos discípulos que eles viviam debaixo do poder de Roma.
A Igreja também
precisa compreender sua relação com as autoridades.
A Bíblia nos
ensina a respeitar e orar pelos governantes (Rm 13.1-7; 1Tm 2.1-2). Entretanto,
quando alguma autoridade exige aquilo que Deus proíbe ou proíbe aquilo que Deus
ordena, encontramos nas Escrituras um princípio muito claro:
“Mais importa
obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29)
Os primeiros
discípulos conheceram perseguição.
Tentaram
silenciá-los.
Foram
ameaçados.
Foram presos.
Alguns foram
martirizados.
Mas continuaram
confessando:
“Jesus Cristo é
o Senhor!”
A Igreja não
deve procurar conflito com o Estado, mas também não pode entregar ao Estado a
autoridade que pertence exclusivamente a Cristo.
Governos
passam.
Leis mudam.
Presidentes
passam.
Reis passam.
Impérios
passam.
Mas a Palavra
do nosso Deus permanece eternamente.
Jesus
perguntou:
“Quem dizem os
homens ser o Filho do Homem?”
A opinião
pública sempre terá alguma coisa a dizer acerca de Cristo e de sua Igreja.
Em determinados
momentos, a Igreja será elogiada.
Em outros, será
criticada.
Poderemos ser
chamados de ultrapassados, intolerantes ou retrógrados simplesmente porque
permanecemos fiéis às convicções das Escrituras.
Entretanto, a
Igreja não recebeu a missão de adaptar a verdade à opinião pública.
Recebemos a
missão de:
“Pregar a
Palavra.” (2Tm 4.2)
Não podemos
determinar nossa teologia pelas pesquisas de opinião.
Não podemos
determinar nossa mensagem pelos aplausos da sociedade.
Não podemos
perguntar:
“O que
precisamos dizer para sermos aceitos?”
Precisamos
perguntar:
“O que Deus
disse em sua Palavra?”
Finalmente,
Jesus torna a pergunta pessoal:
“E vós, quem
dizeis que eu sou?”
Observe que
Jesus não perguntou apenas:
“O que vocês
ouviram falar de mim?”
Ele perguntou:
“Quem vocês
dizem que Eu sou?”
Chega um
momento em que não podemos viver da fé dos outros.
Não basta saber
o que seu pastor pensa sobre Jesus.
Não basta saber
o que seus pais pensam sobre Jesus.
Não basta saber
o que sua igreja ensina sobre Jesus.
A pergunta
chega até nós:
“E VOCÊ, QUEM
DIZ QUE JESUS É?”
Cristo exige um
posicionamento.
Não é tempo de
viver em cima do muro.
Não é tempo de
coxear entre dois pensamentos.
Não é tempo de
tentar agradar simultaneamente a Cristo e ao mundo.
Paulo pergunta:
“Que comunhão
tem a luz com as trevas?” (2Co 6.14)
E também:
“Não podeis
beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes
da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1Co 10.21)
Existe uma
decisão que precisa ser tomada.
Ou Cristo é
Senhor ou não é.
Ou sua Palavra
é nossa autoridade ou não é.
Ou pertencemos
ao Reino de Deus ou permanecemos sob o domínio das trevas.
Cesareia de
Filipe era o cenário perfeito para aquela pergunta.
Diante dos
altares pagãos...
“Quem vocês
dizem que Eu sou?”
Diante do
templo dedicado a César...
“Quem vocês
dizem que Eu sou?”
Diante da
opinião das multidões...
“Quem vocês
dizem que Eu sou?”
E Pedro
responde:
“TU ÉS O
CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO!”
Esta continua
sendo a confissão da Igreja.
Quando as
trevas se levantarem:
Jesus é o
Cristo!
Quando os
poderes deste mundo tentarem ocupar o lugar de Deus:
Jesus é o
Cristo!
Quando a
opinião pública pressionar a Igreja a abandonar suas convicções:
Jesus é o
Cristo!
Quando
permanecer fiel custar amizades, posições, oportunidades ou reconhecimento:
Jesus é o
Cristo, o Filho do Deus vivo!
Porque nosso
posicionamento não pode depender do ambiente em que estamos.
Cesareia pode
estar cheia de ídolos.
Roma pode
parecer poderosa.
A multidão pode
pensar diferente.
Mas a Igreja
continua de pé sobre a mesma confissão:
JESUS CRISTO É
O FILHO DO DEUS VIVO!
Nosso
posicionamento é exigido.
Nosso
posicionamento precisa ser claro.
E nosso
posicionamento é urgente.
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